E de repente é como se em um segundo nada mais importasse, e na mesma velocidade, esse um segundo se transformasse em um minuto, uma hora, um dia, um mês, um ano, uma infinidade. Vira aquele olhar paralisado, hipnotizado para o nada e para o tudo, ao mesmo tempo. Não sei explicar, na verdade, acho que nem faço questão, afinal o meu racional e tão mínimo e tão subdividido que nunca dei muita importância.
Só quero saber desse tempo desconfigurado, atrapalhado, confuso e teimoso que insiste em permanecer aqui. Tudo tão novo e ao mesmo tempo sinto como se já me fosse dado a muito tempo, como se sempre fosse aquele possessivo “meu”. Sei não, acho que não, fato nenhum prova nada disso, apenas sinto que é.
Mas sabe, tudo bem, eu já disse que não me importo para as provas? Para os fatos? Para essa suposta realidade?
Pois é, se eu sinto aqui dentro, já é o suficiente, já é real, ao menos para mim.


