Fiz o chá, acendi o incenso,
coloquei a música... Mas o importante era a hora... Era domingo, por volta das
18:00 horas... O Sol se pondo, vermelho, sereno... Tudo tão calmo lá fora, tudo
tão confuso aqui dentro... A casa, as roupas, a louça, a cama... Tudo arrumado,
organizado, digo até que: impecável! E aqui dentro? Uma bagunça! Quis então
arrumar aqui dentro também, neutralizar tudo, zerar, apagar, resetar e deletar...
Tentei, eu juro, mas falhei... A verdade é que sou uma bagunça infinita de 26
anos! Sim, acho que essas palavras me definiram bem. E elas ficaram ecoando na
casa vazia, insistiram em ecoar solitárias e em câmera lenta: “uma bagunça aos
26 anos...” Pego a xícara com o chá, a música tocando, olho pela janela, fico admirando
as cores do por do sol, sinto o cheiro do incenso se instalando na minha alma,
as cores do por do sol refletidas no meu chá, a música me fazendo sorrir e
digo: “uma bagunça, desde sempre, aqui dentro”.
Hellooooooooooooooooooooooooooooooooo
quinta-feira, 27 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
E dizem por aí...
E eu tenho uma
dificuldade imensa de falar como eu sou, quem eu sou, porque eu sou, mas de
qualquer maneira, acredito que sempre estamos fazendo essas pequenas grandes
procuras e descobertas dentro da gente. E aí uma música vai nos definindo, uma
poesia vai nos revelando, um choro vai limpando, um sorriso vai iluminando, um
filme vai escrevendo a nossa vida, um sabor vai descrevendo um momento, uma
frase aquece o coração e palavras vão surgindo e a gente vai se descrevendo e
escrevendo... escrevendo...
E ela gosta de: jujuba,
café, pão de queijo, alfajor, biscoito recheado, maçã, chá, leite, paçoca,
pipoca, farinha, pizza, suco de caju, melão, ervilha e sopa.
E ela gosta de ouvir em
desordem: Alanis, Cat Power, Mallu, Marcelo, Adriana, Marisa, Los Hermanos, Radiohead,
Marina, Gal, Raul, Legião, Tom, Soko, Biquíni, Engenheiros, Nando, Cássia,
Zélia, Belle and Sebastian, Smiths, The cure, New order (bom, vou parar por
aqui, a lista é enorme...)
E ela gosta de coisas
bonitas, simples, belas, de giz de cera, papel reciclável, tesoura, fotos,
momentos, minutos, sensações, canções, esmaltes, sorrisos, óculos, livros,
incensos, cozinha, organização, cores, flores, roxo, azul, amarelo e azul, all
star, sapatilhas, batom, rímel, leveza, brisa, bilhetes, palavras, ações.
E ela tem: os melhores
amigos e amigas do mundo, uma irmã linda e maravilhosa, uma mãe linda e
arretada, um pai que é um eterno adolescente, uma família barulhenta, um quarto
silencioso, uma risada engraçada e boba, muitos sonhos e muito amor no coração.
E ela tem muitos
defeitos: é desengonçada, chata, míope, tem mania de perguntas e explicações,
avoada, muito avoada...
Mas sempre me dizem que
ela não existe, que ela não vive aqui, que ela não existe aqui... Seria fácil
se ela, não fosse eu...
domingo, 2 de junho de 2013
Eu espero alguém
Mais
um domingo, e eu ainda muito ocupada... Mas mesmo com esses dias meio cheios,
meio vazios, meio incompleto (hã, meio incompleto?), é! Como se fosse a metade
do cheio, a duplicação do incompleto... Enfim, hoje eu decidi vir por aqui pra
não escrever! Isso mesmo, serei breve, porque hoje, eu quero apenas deixar um
texto que li, um texto lindo, que me encantou por sua essência aflorada, por
seu amor explicito, na verdade, pela sua espera do amor... Já o li tantas
vezes... E a cada leitura ele me encanta, me revela, me expõe, me centra, me
faz errante, me faz certa, me faz ter esperança e faz acreditar! Mas
principalmente, ele faz meu coração bater forte e a minha alma levitar...
Boa leitura,
Bom domingo!
Eu espero alguém que
não desista de mim mesmo quando já não tem interesse. Espero alguém que não me
torture com promessas de envelhecer comigo, que realmente envelheça comigo.
Espero alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amigo dos
meus amigos e mais irmão dos meus irmãos. Espero alguém que não tenha medo do
escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos
dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que se arrependa
rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer. Espero alguém que me avise
que estou repetindo a roupa na semana. Espero alguém que nunca abandone a
conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os
amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém
que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens. Espero alguém
disposto a conferir se a porta está fechada e o café desligado, se meu rosto
está aborrecido ou esperançoso. Espero alguém que prove que amar não é
contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se
irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que possa criar toda uma linguagem
cifrada para que ninguém nos recrimine. Espero alguém que arrume ingressos de
teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como
se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para
coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído,
que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um
espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que minta que cozinha e só diga a
verdade depois que comi. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um
show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero
alguém que ame meus filhos como se estivesse reencontrando minha infância e
adolescência fora de mim. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que
fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero
alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser
algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente.
Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser
engraçado. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com
interesse. Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo e
crie conspiração dos amigos para me ajudar. Espero alguém que pinte o muro onde
passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero
alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta
o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo
antes de olhar para as janelas. Espero alguém que me ensine a me amar porque a
separação apenas vem me ensinando a me destruir. Espero alguém que tenha pressa
de mim, eternidade de mim, que chegue logo, que apareça hoje, que largue o
casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo no cabide. Espero
encontrar uma mulher que me torne novamente necessário.
Fabrício Carpinejar
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