Meados
de 2012, lembro como se fosse hoje o meu monólogo com o céu. Falei dele com tanta
propriedade, como se de alguma forma ele fosse meu. Personifiquei nele um
alguém. Alguém que ainda não conhecera, mas que nunca perdi a esperança de
saber que anda vagando por aí... Naquela tarde, exatamente naquela tarde
experimentei uma sensação que até então nunca sentira. E então hoje, voltei
para a mesma janela e olhei pro céu e com aqueles mesmos olhos antigos, vi os
seus da cor do céu.
Não
lembro quantas horas fiquei perdida olhando aquele céu, mas sei que a cada
minuto que passava eu me encontrava mais nele. Eu queria falar, eu precisava
falar, mas o que eu exatamente eu ainda não disse? Eu sei que é algo tão grande
que não cabe no meu coração, transpira pelos meus poros, deságua pelos meus olhos,
alarga ainda mais o sorriso, torna as cores tão mais vivas e assim vai só crescendo
um infinito de sensações que ainda nem sei nomear. E então retorno a me questionar
numa tentativa árdua de definir e explicar o que eu só sei sentir.
Queria
fazer com que você sentisse o que eu sinto, e assim quem sabe você entenderia
melhor por nós dois tudo isso. Às vezes me perco nas minhas teorias, nos meus
receios, medos, mas então eu lembro que eu me encontro em você, e então tudo
está bem. Vou sendo conduzida com todo o seu azul para um lugar secreto. Durante
o caminho eu vejo labirintos, muitas setas, pistas e direções... Já não sei
onde estou, e tenho a sensação de que você também não. Porém, vamos aos poucos
nos guiando com as mãos entrelaçadas e passos tímidos-atrapalhados.
Eu
não quero soltar a sua mão, e não importa aonde seja esse lugar, nos estamos
indo. E a sua luz vai iluminando e o seu azul acalmando... Mas o que eu queria
mesmo dizer era que quando sou tomada por algum desses sentimentos que não sei
definir ou quando sinto saudades do que ainda não tive em meus braços, eu paro!
E então olho pro céu e vejo você, olho pra você e vejo o céu. E assim, tudo vai
indo pra onde tem que ir... Você e eu também meu pedacinho do céu. E te peço
com todo o meu coração: não solta da minha mão?!