"O jogo começou, aperta o START..." Bem, confesso que Marcelo D2 não é o meu cantor favorito... Muito mais a "minha cara" cantarolar um indie metido a besta ou uma bossa nova vestida de novata. Entrelaçando músicas e pedaços variados de rimas tempo-espaço, estou aqui. Ainda sem supostos cadernos e continuando sem tempo... E ora ora, hoje não é domingo (dia que geralmente usava para os escritos livres, como estou cá fazendo). Bem, sem muitas voltas para mais caminhos, não digo que estou de volta, também não afirmo que fui embora. Prefiro assim... Sem tempo definito e com a falta do tempo latejando no meu ser.
Olá, meu nome é Jussaria, mas pode me chamar de Juh, formada em Letras e Pedagogia e especialista em Educação Infantil. Professora bilíngue e agora, aos 32 anos, vestibulanda de Medicina.
Me vi aqui, mais uma vez... O barulho incessante dos carros lá fora fazia uma metáfora com o meu verdadeiro caos aqui dentro. Queria sumir, ir pra longe, bem longe, cortar o cabelo, pintar de preto ou colorido, fazer tatuagens (talvez), falar palavrão, brigar, quebrar essa mesa, essa televisão inútil... Não, nada disso adiantaria, nada disso seria eu.
Eu sou essa aqui... Pois é, essa aqui... Que chora com palavras, ações, reações e ligações. Que sofre com a ausência e finge que não. Que chora quando ninguém vê e ainda tem a preocupação de ninguém ouvir meu choro.
É! Talvez ela estivesse certa quando disse: "você é a pessoa mais forte que já vi, logo logo irá superar e entender tudo isso." Talvez. Me vi diante dessa tela, dessa janela, desse cheiro de café e incenso de lavanda desaparecendo pelo ar. E então ela começou a cantar. Larguei o computador, porque tudo que eu queria escrever já havia sido escrito, musicado e interpretado por ela, Norah Jones. É, realmente acho que NADA acontece por acaso, não é?
O
mundo lá fora acordando enquanto nos encantávamos com o nascer do dia e
início de nosso descanso. Passamos a noite brotando e cultivando conversas que
vem de toda parte, do passado que ainda não lembramos se misturando com o
presente que suplica acontecer. Eu escuto você, suas palavras não ditas sendo
interpretadas através do barulhinho dos seus desenhos sobre o papel. Escuto
como música o vai e vem do lápis, primeiro o de desenho... Cinza, preciso, exato,
necessitando e implorando pela explosão de cor que vem logo depois. Espero pacientemente
você colocar todos os lápis na mesa, selecionar, organizar para então começar a
colorir. Cores, muitas cores, se misturando, envolvendo... Cores... E eu escuto
o colorir e observo atentamente a sua dança de inspiração sendo exposta ali,
naquele papel.
As horas
passam... Você não viu, eu não vi... Elas já se foram... Elas vão e você fica.
Diante da nossa resistência de quem dormirá primeiro, sempre fica o resultado
de que tanto faz. Deixamos o aroma do café se instalar por toda a cozinha e
criar moradia em nossas mais remotas lembranças, sendo inalado calmamente. Suas
mãos agora segurando a caneca e inquietamente ritmando algo nela, tornando quase
que possível ouvir o barulho dos seus pensamentos... Me junto a você e assim vamos
observando a rua lá fora...Pergunto sussurrando: o que ela diz pra você? Você
sorri. E voltamos a ouvir o silêncio da rua, da casa, o seu, o meu.
A
brisa gélida beija o nosso rosto e nos envolve da mais pura calmaria. Torna-se
o personagem principal desse ato. Sorrimos e conversamos olhando para a rua. A hora
de dormir se aproxima. Queremos vencer o cansaço e continuar ali, mas ele persiste em
continuar. Dormimos derrotadas pelas horas, até que então o sonho resolve nos presentear. E juntas, voltamos para a janela.
Primeiros minutos do dia 28 de dezembro de 2014... O ano está acabando... Contudo, eu apenas me pergunto em que minuto exatamente você surgiu no meu coração? Não sei, definitivamente não sei. Eu sei que você veio, e sobre as datas: tanto faz.
Primeiros minutos do dia 28, uma folha novinha nos é dada... Aqui está ela, em minhas mãos... Tão clara, tão nítida, tão real, com uma única exigência, que tudo que for aqui escrito seja a caneta! Nada de lápis e suas borrachas, apenas caneta!
Primeiros minutos do dia 28, no topo da folha a data seguida do horário. Horário de Brasília 00:00 não passou um minuto... Mas antes que esse um minuto se complete, eu corro!!! Pego a caneta, e escrevo forte, pra deixar bem registrado, com a minha letra mais bonita, mais bem detalhada e desenhada. Seu nome.
Deixo então registrado no meu primeiro minuto, você! E o mesmo acontece às 23:59 quando a folhinha estiver no fim. Seu nome: na primeira e na última linha da folha.
Meados
de 2012, lembro como se fosse hoje o meu monólogo com o céu. Falei dele com tanta
propriedade, como se de alguma forma ele fosse meu. Personifiquei nele um
alguém. Alguém que ainda não conhecera, mas que nunca perdi a esperança de
saber que anda vagando por aí... Naquela tarde, exatamente naquela tarde
experimentei uma sensação que até então nunca sentira. E então hoje, voltei
para a mesma janela e olhei pro céu e com aqueles mesmos olhos antigos, vi os
seus da cor do céu.
Não
lembro quantas horas fiquei perdida olhando aquele céu, mas sei que a cada
minuto que passava eu me encontrava mais nele. Eu queria falar, eu precisava
falar, mas o que eu exatamente eu ainda não disse? Eu sei que é algo tão grande
que não cabe no meu coração, transpira pelos meus poros, deságua pelos meus olhos,
alarga ainda mais o sorriso, torna as cores tão mais vivas e assim vai só crescendo
um infinito de sensações que ainda nem sei nomear. E então retorno a me questionar
numa tentativa árdua de definir e explicar o que eu só sei sentir.
Queria
fazer com que você sentisse o que eu sinto, e assim quem sabe você entenderia
melhor por nós dois tudo isso. Às vezes me perco nas minhas teorias, nos meus
receios, medos, mas então eu lembro que eu me encontro em você, e então tudo
está bem. Vou sendo conduzida com todo o seu azul para um lugar secreto. Durante
o caminho eu vejo labirintos, muitas setas, pistas e direções... Já não sei
onde estou, e tenho a sensação de que você também não. Porém, vamos aos poucos
nos guiando com as mãos entrelaçadas e passos tímidos-atrapalhados.
Eu
não quero soltar a sua mão, e não importa aonde seja esse lugar, nos estamos
indo. E a sua luz vai iluminando e o seu azul acalmando... Mas o que eu queria
mesmo dizer era que quando sou tomada por algum desses sentimentos que não sei
definir ou quando sinto saudades do que ainda não tive em meus braços, eu paro!
E então olho pro céu e vejo você, olho pra você e vejo o céu. E assim, tudo vai
indo pra onde tem que ir... Você e eu também meu pedacinho do céu. E te peço
com todo o meu coração: não solta da minha mão?!
A
ferida foi aberta novamente, de novo, o mesmo lugar, o mesmo motivo, a mesma maneira. Por quê? Não me conte mentiras, não precisa, eu já sei. Volto para
frente do espelho, agora embaçado pela água quente do chuveiro, vejo o meu
corpo nu desfocado nele. Abro os meus braços e pergunto novamente: por quê?
Olho
para o meu corpo e não tem nenhum rabisco, foi isso? Chego perto e olho os meus
olhos, eles precisam de vidro para enxergar, foi isso? Vejo as minhas olheiras,
tão escuras e fundas, foi isso? Passo a mão pelo meu cabelo e digo: droga,
tenho que retocar a raiz. Foi a cor? Passo a mão pelo rosto molhado, não, não é
de água... Foi isso?
A
passagem estava comprada, dia 25 cedinho pegaria aquele ônibus que me levaria a
você, eu sei, você não sabe. O presente de natal e de aniversário já estava
escolhido. O cartão já estava escrito. Era isso que fazia nas minhas horas de
almoço, eu de alguma forma, as entregava pra você. Escolhendo, escrevendo,
procurando com aquela minha internet 3g horrível. Eu sei, você não sabe.
Mas
então você se foi.
Eu
pedi para eles cuidarem de você. Eu sei, você também não sabe. Mas então eu sei
que você se foi. E isso, você sabe. Me restou arrumar a bagunça, coloquei você
numa caixinha, guardei num lugar secreto no meu guarda-roupa (onde você não
possa cair e muito menos se machucar). Enxuguei novamente as lágrimas e disse
pela última vez: Vá... Eu amo você