O
mundo lá fora acordando enquanto nos encantávamos com o nascer do dia e
início de nosso descanso. Passamos a noite brotando e cultivando conversas que
vem de toda parte, do passado que ainda não lembramos se misturando com o
presente que suplica acontecer. Eu escuto você, suas palavras não ditas sendo
interpretadas através do barulhinho dos seus desenhos sobre o papel. Escuto
como música o vai e vem do lápis, primeiro o de desenho... Cinza, preciso, exato,
necessitando e implorando pela explosão de cor que vem logo depois. Espero pacientemente
você colocar todos os lápis na mesa, selecionar, organizar para então começar a
colorir. Cores, muitas cores, se misturando, envolvendo... Cores... E eu escuto
o colorir e observo atentamente a sua dança de inspiração sendo exposta ali,
naquele papel.
As horas
passam... Você não viu, eu não vi... Elas já se foram... Elas vão e você fica.
Diante da nossa resistência de quem dormirá primeiro, sempre fica o resultado
de que tanto faz. Deixamos o aroma do café se instalar por toda a cozinha e
criar moradia em nossas mais remotas lembranças, sendo inalado calmamente. Suas
mãos agora segurando a caneca e inquietamente ritmando algo nela, tornando quase
que possível ouvir o barulho dos seus pensamentos... Me junto a você e assim vamos
observando a rua lá fora...Pergunto sussurrando: o que ela diz pra você? Você
sorri. E voltamos a ouvir o silêncio da rua, da casa, o seu, o meu.
A
brisa gélida beija o nosso rosto e nos envolve da mais pura calmaria. Torna-se
o personagem principal desse ato. Sorrimos e conversamos olhando para a rua. A hora
de dormir se aproxima. Queremos vencer o cansaço e continuar ali, mas ele persiste em
continuar. Dormimos derrotadas pelas horas, até que então o sonho resolve nos presentear. E juntas, voltamos para a janela.
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