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sábado, 3 de janeiro de 2015

A janela

O mundo lá fora acordando enquanto nos encantávamos com o nascer do dia e início de nosso descanso. Passamos a noite brotando e cultivando conversas que vem de toda parte, do passado que ainda não lembramos se misturando com o presente que suplica acontecer. Eu escuto você, suas palavras não ditas sendo interpretadas através do barulhinho dos seus desenhos sobre o papel. Escuto como música o vai e vem do lápis, primeiro o de desenho... Cinza, preciso, exato, necessitando e implorando pela explosão de cor que vem logo depois. Espero pacientemente você colocar todos os lápis na mesa, selecionar, organizar para então começar a colorir. Cores, muitas cores, se misturando, envolvendo... Cores... E eu escuto o colorir e observo atentamente a sua dança de inspiração sendo exposta ali, naquele papel.
As horas passam... Você não viu, eu não vi... Elas já se foram... Elas vão e você fica. Diante da nossa resistência de quem dormirá primeiro, sempre fica o resultado de que tanto faz. Deixamos o aroma do café se instalar por toda a cozinha e criar moradia em nossas mais remotas lembranças, sendo inalado calmamente. Suas mãos agora segurando a caneca e inquietamente ritmando algo nela, tornando quase que possível ouvir o barulho dos seus pensamentos... Me junto a você e assim vamos observando a rua lá fora...Pergunto sussurrando: o que ela diz pra você? Você sorri. E voltamos a ouvir o silêncio da rua, da casa, o seu, o meu.
A brisa gélida beija o nosso rosto e nos envolve da mais pura calmaria. Torna-se o personagem principal desse ato. Sorrimos e conversamos olhando para a rua. A hora de dormir se aproxima. Queremos vencer o cansaço e continuar ali, mas ele persiste em continuar. Dormimos derrotadas pelas horas, até que então o sonho resolve nos presentear. E juntas, voltamos para a janela. 

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