“E ela sofria de um romantismo incurável, altamente contagioso”
Don Juan DeMarco
E então ela se perguntava: O que fazer com esse sentimento todo (que ela por vezes insistia em chamar de amor)? Por vezes pensava na alternativa de fazer o mesmo que fazia com o copo de água, sim, aquele copo de água que ela sempre esquecia e deixava ir enchendo, enchendo e quando percebia o copo já estava transbordando e então não lhe restava outra opção a não ser deixar a água escorrer pelo ralo.
Ela nunca se encontrava, nunca se espelhava, nunca se sentia habitante desse mundo dado à ela, então ela não queria ser ela, ela pedia para não ser ela, ela sonhava não ser ela, ela desejava sim, ser o outro: aquele que era o racional, o exato, o metricamente contado. Mas não, não adiantava, ela era o contrário do que um dia pensou querer ser.
Ela sonhava acordada e andava com os pés no chão (do seu mundo), ela acreditava nas pessoas, nos sentimentos e no amor, aquele mesmo amor que de tanto acreditar chegava a incomodar. E mesmo sofrendo um pouquinho mais por ser assim, ela resolveu finalmente esquecer o outro.
E como há anos não fazia, eu levantei, me olhei no espelho e sorri.
:)
Nenhum comentário:
Postar um comentário