Hellooooooooooooooooooooooooooooooooo

domingo, 30 de novembro de 2014

The Scientist

A ferida foi aberta novamente, de novo, o mesmo lugar, o mesmo motivo, a mesma maneira. Por quê? Não me conte mentiras, não precisa, eu já sei. Volto para frente do espelho, agora embaçado pela água quente do chuveiro, vejo o meu corpo nu desfocado nele. Abro os meus braços e pergunto novamente: por quê?
Olho para o meu corpo e não tem nenhum rabisco, foi isso? Chego perto e olho os meus olhos, eles precisam de vidro para enxergar, foi isso? Vejo as minhas olheiras, tão escuras e fundas, foi isso? Passo a mão pelo meu cabelo e digo: droga, tenho que retocar a raiz. Foi a cor? Passo a mão pelo rosto molhado, não, não é de água... Foi isso?
A passagem estava comprada, dia 25 cedinho pegaria aquele ônibus que me levaria a você, eu sei, você não sabe. O presente de natal e de aniversário já estava escolhido. O cartão já estava escrito. Era isso que fazia nas minhas horas de almoço, eu de alguma forma, as entregava pra você. Escolhendo, escrevendo, procurando com aquela minha internet 3g horrível. Eu sei, você não sabe.
Mas então você se foi.

Eu pedi para eles cuidarem de você. Eu sei, você também não sabe. Mas então eu sei que você se foi. E isso, você sabe. Me restou arrumar a bagunça, coloquei você numa caixinha, guardei num lugar secreto no meu guarda-roupa (onde você não possa cair e muito menos se machucar). Enxuguei novamente as lágrimas e disse pela última vez: Vá... Eu amo você



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Oceano

Ouço a voz de algum cantor que almeja a fama, o timbre de sempre soando pelos bares. Um indierock regado com whisky, um blues transbordando dor e vinho tinto. Ah não! Chega de rock com cerveja barata! Quero aquela bossa nova que os irmãos não ligam se é usada. Quero a vodka, ela faz esquecer. Faz essa voz parecer de anjo... Droga, sempre o mesmo timbre, as mesmas firulas, os mesmos acordes.
As luzes pelas paredes, vermelhas, roxas, verdes, rodando. Gente, muita gente! Uns dançando, jurando ser feliz, outros apenas bebendo, rodando... Todos com sorrisos de bebida. Aqueles que te dão a límpida ilusão de felicidade. Tolos!
A moça observa, bebe, se sente amada sem ser, alguém a segura pelo braço, ela grita. Gente, muita gente,
Ela vai pro meio da multidão, começa a rodar, dançar, sozinha. Vê os rostos com sorrisos temporários, as luzes, tudo roda, tudo gira, ela começa a sorrir, sorrisos de bebida... Mas lágrimas começam a brotar de seus olhos, ela chora, aquele choro que parece uma gargalhada de desespero. Tudo turvo, todos no mar dos seus olhos... Se afogando...