Me vi aqui, mais uma vez... O barulho incessante dos carros lá fora fazia uma metáfora com o meu verdadeiro caos aqui dentro. Queria sumir, ir pra longe, bem longe, cortar o cabelo, pintar de preto ou colorido, fazer tatuagens (talvez), falar palavrão, brigar, quebrar essa mesa, essa televisão inútil... Não, nada disso adiantaria, nada disso seria eu.
Eu sou essa aqui... Pois é, essa aqui... Que chora com palavras, ações, reações e ligações. Que sofre com a ausência e finge que não. Que chora quando ninguém vê e ainda tem a preocupação de ninguém ouvir meu choro.
É! Talvez ela estivesse certa quando disse: "você é a pessoa mais forte que já vi, logo logo irá superar e entender tudo isso." Talvez. Me vi diante dessa tela, dessa janela, desse cheiro de café e incenso de lavanda desaparecendo pelo ar. E então ela começou a cantar. Larguei o computador, porque tudo que eu queria escrever já havia sido escrito, musicado e interpretado por ela, Norah Jones. É, realmente acho que NADA acontece por acaso, não é?