Hellooooooooooooooooooooooooooooooooo

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

The deepest shade of blue

Me vi aqui, mais uma vez... O barulho incessante dos carros lá fora fazia uma metáfora com o meu verdadeiro caos aqui dentro. Queria sumir, ir pra longe, bem longe, cortar o cabelo, pintar de preto ou colorido, fazer tatuagens (talvez), falar palavrão, brigar, quebrar essa mesa, essa televisão inútil... Não, nada disso adiantaria, nada disso seria eu. 
Eu sou essa aqui... Pois é, essa aqui... Que chora com palavras, ações, reações e ligações. Que sofre com a ausência e finge que não. Que chora quando ninguém vê e ainda tem a preocupação de ninguém ouvir meu choro. 
É! Talvez ela estivesse certa quando disse: "você é a pessoa mais forte que já vi, logo logo irá superar e entender tudo isso." Talvez. Me vi diante dessa tela, dessa janela, desse cheiro de café e incenso de lavanda desaparecendo pelo ar. E então ela começou a cantar. Larguei o computador, porque tudo que eu  queria escrever já havia sido escrito, musicado e interpretado por ela, Norah Jones. É, realmente acho que NADA acontece por acaso, não é? 




sábado, 3 de janeiro de 2015

A janela

O mundo lá fora acordando enquanto nos encantávamos com o nascer do dia e início de nosso descanso. Passamos a noite brotando e cultivando conversas que vem de toda parte, do passado que ainda não lembramos se misturando com o presente que suplica acontecer. Eu escuto você, suas palavras não ditas sendo interpretadas através do barulhinho dos seus desenhos sobre o papel. Escuto como música o vai e vem do lápis, primeiro o de desenho... Cinza, preciso, exato, necessitando e implorando pela explosão de cor que vem logo depois. Espero pacientemente você colocar todos os lápis na mesa, selecionar, organizar para então começar a colorir. Cores, muitas cores, se misturando, envolvendo... Cores... E eu escuto o colorir e observo atentamente a sua dança de inspiração sendo exposta ali, naquele papel.
As horas passam... Você não viu, eu não vi... Elas já se foram... Elas vão e você fica. Diante da nossa resistência de quem dormirá primeiro, sempre fica o resultado de que tanto faz. Deixamos o aroma do café se instalar por toda a cozinha e criar moradia em nossas mais remotas lembranças, sendo inalado calmamente. Suas mãos agora segurando a caneca e inquietamente ritmando algo nela, tornando quase que possível ouvir o barulho dos seus pensamentos... Me junto a você e assim vamos observando a rua lá fora...Pergunto sussurrando: o que ela diz pra você? Você sorri. E voltamos a ouvir o silêncio da rua, da casa, o seu, o meu.
A brisa gélida beija o nosso rosto e nos envolve da mais pura calmaria. Torna-se o personagem principal desse ato. Sorrimos e conversamos olhando para a rua. A hora de dormir se aproxima. Queremos vencer o cansaço e continuar ali, mas ele persiste em continuar. Dormimos derrotadas pelas horas, até que então o sonho resolve nos presentear. E juntas, voltamos para a janela.