Hellooooooooooooooooooooooooooooooooo

domingo, 20 de maio de 2012

Construção

Construí aquilo tudo...
Aquele apartamento, lá do oitavo andar, aquelas cores nas paredes, o vermelho da sala que combinava com o preto e branco da mobília, aquele canto escondido pintado de roxo e amarelo que eu gostava tanto quando juntos. A sua parafernália eletrônica ao lado da minha vitrola, juntando as suas músicas de solos intermináveis com as minhas quase sussurradas. Tudo colorido para mim. Tudo preto e branco para você. Bastava. 
  Você aceitou meus livros na estante e eu aceitei aquele seu quadro feio na parede da sala. Acabou. Fui então pintando tudo de branco, o vermelho foi indo embora, aos poucos fui apagando seus passos, jogando fora suas coisas, ficou tudo assim, branco... Troquei as chaves e fui para as bandas de lá. 
O apartamento? Estava completamente apagado, até um dia desses. Uma menina não muito equilibrada pegou as chaves, pintou as paredes da sala de roxo e amarelo, pois é, da sala. Colocou na estante todos os livros dela e uns incensos também... Ah, as músicas? Continuam velhas, que combinam perfeitamente com a vitrola, que está quebrada. 
Está tudo mudado e igual, mudado aos 25 anos por ela mesma aos 15 anos, ao mesmo tempo, aliás, o tempo, ela já não se importa mais, também. 
Ela construiu. 
Ela desconstruiu. 
Ela está reconstruindo. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Garranchos


Livro na mão, sentada sem postura nenhuma na cadeira, pés apoiados confortavelmente na cadeira da frente, caderninho aberto, caneta (azul? Preta? ou colorida?) colorida, afinal, era aula de literatura. A sala vai enchendo, professor começa. 
Livro aberto, caneta colorida devidamente posicionada no caderninho, palavras lindas do professor, garrancho meu. “E então, conhecido como modernismo, pós-modernismo...” Entendido! 
E aí começamos a “Clariciar” e foi aí que entendi que a repulsa que sentia por ela, nada mais era que a repulsa que sentia por mim. Exagerada, intensa, confusa demais... (me encontrava), compreendi que aquela contrariedade, nada mais era que a compatibilidade do sentir. Entendido e anotado. 
Tudo lido, anotado com letrinhas feias e coloridas, entendido? Certo? No mesmo momento o professor comenta: “__porque viver é isso, quando você pensar que está tudo indo por um caminho, ela vem e te joga para um outro lugar, e aí ou você pira ou você vem mais forte...” Pronto, e essas palavras, automaticamente não saíram da minha cabeça, me perguntei então: Se temos que estar preparados para ficar andando em uma linha com tantas voltas, com altos e baixos, por quê diabos eu teimo tanto em querer andar em uma simples linha reta? 
Livro fechado, caderninho aberto, caneta preta, garranchos, eu e pensamentos.