Construí aquilo tudo...
Aquele apartamento, lá do oitavo andar, aquelas cores nas paredes, o vermelho da sala que combinava com o preto e branco da mobília, aquele canto escondido pintado de roxo e amarelo que eu gostava tanto quando juntos. A sua parafernália eletrônica ao lado da minha vitrola, juntando as suas músicas de solos intermináveis com as minhas quase sussurradas. Tudo colorido para mim. Tudo preto e branco para você. Bastava.
Você aceitou meus livros na estante e eu aceitei aquele seu quadro feio na parede da sala. Acabou. Fui então pintando tudo de branco, o vermelho foi indo embora, aos poucos fui apagando seus passos, jogando fora suas coisas, ficou tudo assim, branco... Troquei as chaves e fui para as bandas de lá.
O apartamento? Estava completamente apagado, até um dia desses. Uma menina não muito equilibrada pegou as chaves, pintou as paredes da sala de roxo e amarelo, pois é, da sala. Colocou na estante todos os livros dela e uns incensos também... Ah, as músicas? Continuam velhas, que combinam perfeitamente com a vitrola, que está quebrada.
Está tudo mudado e igual, mudado aos 25 anos por ela mesma aos 15 anos, ao mesmo tempo, aliás, o tempo, ela já não se importa mais, também.
Ela construiu.
Ela desconstruiu.
Ela está reconstruindo.

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